Firmas Press
toolbar.gif (493 bytes)

Creada hace veinte años para servir a la prensa de habla española:
grandes columnistas, artículos de interés general, caricaturas, pasatiempos...

La columna semanal de
Carlos Alberto Montaner

Cam.jpg (6536 bytes)

“Se estima que su columna sindicada es leída por seis millones de personas. Sus opiniones hacen que tiemblen políticos en España y América Latina ... Mantendrá su posición como uno de los más respetados periodistas de la región”.
‘The Powerful 100’, Poder, marzo de 2003.

“His syndicated column is read by an estimated 6 million readers. His opinions make politician in Spain and Latin America tremble … He will maintain his position as one of the region’s most respected journalist”.
‘The Powerful 100’, Poder, March 2003.


buscar2.gif (405 bytes)


buscar.gif (308 bytes)


© Firmas Press. Prohibida la reproduccion de los artículos que aparecen en este medio, sin consentimiento escrito o electrónico de Firmas Press.

 

  513-line.gif (245 bytes)

Lula, o senhor de escravos

Carlos Alberto Montaner

Em 1850, o Congresso dos EUA aprovou por uma maioria esmagadora a Lei do Escravo Fugitivo. Os escravos que escapavam deveriam ser devolvidos a seus senhores imediatamente. Ninguém podia socorrê-los. Aquele que ajudasse um negro fugitivo seria severamente multado. Quem o entregasse a seu senhor receberia uma gratificação. Os escravos nem sequer podiam recorrer à justiça. Eles não tinham direitos. O debate que precedeu a aprovação da lei, lido nos dias de hoje, é muito esclarecedor. Ele ficou centrado nos direitos de propriedade. A lógica brandida por aqueles doutos varões (na época, as mulheres nem votavam nem eram eleitas) se fundamentava na tradição jurídica: a grandeza do país dependia da segurança jurídica que amparava as coisas possuídas. Os escravos não eram pessoas. Eram coisas (os gregos os chamavam de “ferramentas falantes”) e as coisas não tinham direitos. Dessa forma, todos os cavalheiros verdadeiramente patriotas deviam proceder de acordo com a lei e devolver ao proprietário aquela coisa escura e assustadora que havia escapado de suas mãos.

A história surge a propósito da devolução a Fidel Castro dos dois jovens negros, campeões de boxe, que se refugiaram no Brasil durante os recentes Jogos Panamericanos. Eles se chamavam Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara. Tinham planos de mudarem para a Alemanha pelas mãos de empresários profissionais com os quais estavam secretamente mantendo contato, e onde se transformariam em profissionais dentro de pouco tempo; dada a habilidade que possuíam para aplicar e receber golpes, seguramente se converteriam em milionários. Aparentemente, o próprio Fidel Castro, que é o proprietário destes rapazes, se comunicou com Lula da Silva e exigiu que ele colaborasse com a imediata devolução da mercadoria. Lula, que entende a lógica dos senhores de escravos, se compadeceu do velho e enfermo ditador. O pobre Fidel tinha criado estes boxeadores e os havia formado com bons treinadores. Os negros eram seus. Mandou então a polícia realizar o seu trabalho.

Esta triste história revela exatamente a natureza do regime cubano, a forma como Fidel Castro exerce autoridade sobre seus súditos e o tipo de relação que mantém com as demais nações. Pouco depois do incidente, declarou que os desportistas cubanos não participariam da próxima competição internacional. Ela será realizada nos EUA e teme uma deserção em massa dos atletas. Para sua desgraça, a Lei do Escravo Fugitivo foi revogada após a Guerra Civil e os EUA já não respeitam os direitos de propriedade. O presidente Bush não é Lula e não devolveria os ingratos desertores. Há apenas dois anos, meia centena de bailarinos cubados que tinha ido a Las Vegas para apresentar um espetáculo musical manifestaram seu desejo de ser livres e fazer com sua vida o que desejavam, e o pérfido império permitiu que eles ficassem no país. Fidel Castro sentiu que tinham se apropriado de algo seu. São assim esses gringos malvados.

Para Fidel Castro, Cuba é uma grande fazenda onde é seu tudo o que existe ou cresce. Como as vacas são suas, matar uma clandestinamente para dar de comer à família faminta se paga com sete anos de prisão. Mais do que o código penal estabelece para quem comete um homicídio. São suas, inclusive, as lagostas que caminham lentamente no fundo do litoral cubano. Pescá-las para amenizar a fome é um delito tão grave como era caçar animais furtivamente nas propriedades reais quando os reis mandavam no mundo.

O difícil de entender é a vil colaboração do presidente Lula da Silva com esta infâmia moral. Não se presume que estamos diante do primeiro presidente latino-americano que provém da classe operária, o primeiro que poderia entender melhor que ninguém a tragédia dos oprimidos? Pensaria que a liberdade destes dois pobres boxeadores negros não tem a menor importância? Pode ser. Assim pensavam os senhores de escravos. Afinal de contas, o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura. Isso aconteceu em 1888. Cuba, em 1886, foi o penúltimo a dar liberdade aos cativos. Entretanto, subsiste nos dois países a mentalidade dos traficantes de pessoas, quer dizer, de coisas. Eu sabia que Fidel Castro era um desses senhores de escravos. Ignorava que Lula era outro.

12 de agosto de 2007

Imprimir esta página

  dot-clear2.gif (55 bytes)
dot-clear.gif (545 bytes)